11/04/2008

Obs.

O futuro chega a cada dia, depois de cada pedra que tiro do meu caminho e que coloco direto nesse muro que me protege do resto do mundo. Criei o meu protesto e a opressão, o pecado e a oração. E a vida vai acontecendo em paralelo com outras, se entrelaçando e desprendendo num vai-vem sem fim. Não são as mãos do destino. São as minhas mesmas, as únicas responsáveis por esses movimentos.
Nem sempre me transformo no que escolho. Mas com certeza sou o que construí a sós, a dois, a três, por todos. A cada escolha que deixei nas mãos dos outros ou da sorte, a cada espera com tom de omissão. Na verdade, quando chega a hora de pagar essa conta, não tem quem dê um desconto. É minha responsabilidade, numa espécie de autopunição que aos poucos é esquecida até que eu sinta vontade de fazer tudo de novo. Aquele erro que, como todo vício, sempre parece o certo e nos joga no pior lugar do mundo. Nessa hora fica tão óbvio que até perde o sentido.
Você voltou. Minha agonia te acompanhou. Juntos, nunca seremos bons o suficiente.