A CAMINHO
Entre as nuvens e as estrelas, olho para baixo e vejo a camada de dúvidas que sempre encobriram minha realidade. Olho para cima e vejo um espaço infinito que um dia quero alcançar mas que, de tão grande, sempre me desanimou. Surge a dúvida. Ou me jogo, torcendo para que a gravidade da situação me leve lá pra cima; ou me deixo cair com todo o peso de minha consciência para ver se ultrapasso as nuvens e me esborracho na minha realidade. A única certeza é de que aqui não posso mais ficar. Atingir o chão pode doer. Subir para as estrelas tira o ar. As luzes de cima mostram mapas para tudo que quero ter. As de baixo, de tudo que não quero ser. É aí que a aeromoça oferece refrigerante com amendoim e o piloto anuncia turbulência. Fecho os olhos e deixo que eles decidam por mim. Por enquanto, uma Coca Light, por favor.

1 Comments:
Se nú vens a cama das dez mil vidas, se tua ação de Sah ninou, a tingir o chão, pó de doer, sem ser teza de amén do fim que és ter-la..
Com ciência de um ex-borracho, numa grave idade..
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