1/29/2007

Grito

O tempo não volta. Mesmo assim insisto em tentar voltar ao início. Àquele momento em que tudo o que eu queria era possível. Hoje eu vejo que não. Nunca foi. Agora mesmo que não voltará a ser. O lugar da despedida nunca vai ser o ponto de partida para o mesmo caminho. Naquele dia em que tudo terminou, eu comecei a ser tudo o que eu ainda não tinha sido para talvez voltarmos a ser o que éramos.
Impossível. Não quero mais ser partida nem chegada. A gente sempre começa querendo voltar e acaba chegando onde tudo termina. Quero o percurso. O mais longo, por favor. Aquele que já percorremos algumas vezes, mas que sempre esqueço o caminho de volta de tão cega que estava quando por ele passamos. Sempre quero voltar, mas nunca quero retroceder. Medo de avançar. Medo de morrer. Medo de ter matado meu tempo com sentimentos imaginários. Nunca pensei que fosse tê-los. Logo eu, que nunca me afastei por mais de três palmos da realidade.
Procuro alguém que me leve pra onde eu nasci. Poder ter coragem de gritar, chorar e espernear para sobreviver. Hoje me calo para ver se consigo silenciar todos os sentimentos fortes que envolvem a existência.
O mundo dá voltas. Mas quem vive em sua superfície só ganha com isso os dias e as noites. Os caminhos da vida não têm nada a ver com isso. Nosso tempo acabou. A linha de chegada apareceu e você a cruzou bem antes. Parabéns, campeão.