5/15/2007

IMPREVISTO

De tanto correr, fui a que mais caiu no chão.
De tanto tropeçar, fui a que mais me estenderam a mão.
Sempre em busca de novos ares, sopros e direção.
Do outro lado da rua, se debruçando no meio-fio, ouvi um grito que seria para sempre a voz do meu silêncio. Me assustei ao perceber o quanto é fácil manter a indiferença ao sentimento alheio. Ter poder é estar perto alguém que dependa de você. Em uma época onde sempre nos sentimos por baixo, a sensação de superioridade de ajudar ou ignorar um pedido de ajuda é o máximo que muitos alcançarão na vida. E ainda se juntam em volta para saber mais detalhes sobre o sofrimento em primeira mão. Todos em silêncio. Se palavra é compromisso, qualquer comentário nessas horas pode ser comprometedor.
Quando outros caem, eu corro.
Quando outros levantam, não é a minha mão que encontram.
Aceitamos a omissão, o papel de passivo. Como se não fazer nada fosse inofensivo. Não fazer nada provavelmente é a pior coisa que alguém pode fazer.

1 Comments:

Blogger André Aires said...

Pode tirar o "provavelmente". Não fazer nada é a pior coisa que alguém pode fazer. A omissão é a pior das covardias. Não provém do medo, na maioria das vezes, na minha opinião, ela visa ganhar algo. Mesmo que seja o alívio de não ter que ajudar quem caiu.

"Sorria e o mundo rirá com você. Chore, e chorará sozinho...".

Beijos do urso que se levanta, que enverga mas não quebra, que cai mas se levanta.... hahahaha

Muito legal

9:02 PM  

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