5/23/2007

PLANTA DE ESTAMPA

A rosa saiu da estampa florida
O mundo inteiro ao seu caule queria deixar
Largou as companheiras de textura sem despedida
Pra prisão do pano nunca mais voltar

Passou de mão em mão:
Crianças que brincavam
Adolescentes que amavam
Adultos que se desculpavam

Todos sem cuidado
Desatentos aos detalhes
Do espinho até o botão

Como nasceu, acabou debaixo da terra
Enterrada, semeada, adubada
Enfeite póstumo em caixão

No final, sempre retornamos às nossas origens.

5/15/2007

IMPREVISTO

De tanto correr, fui a que mais caiu no chão.
De tanto tropeçar, fui a que mais me estenderam a mão.
Sempre em busca de novos ares, sopros e direção.
Do outro lado da rua, se debruçando no meio-fio, ouvi um grito que seria para sempre a voz do meu silêncio. Me assustei ao perceber o quanto é fácil manter a indiferença ao sentimento alheio. Ter poder é estar perto alguém que dependa de você. Em uma época onde sempre nos sentimos por baixo, a sensação de superioridade de ajudar ou ignorar um pedido de ajuda é o máximo que muitos alcançarão na vida. E ainda se juntam em volta para saber mais detalhes sobre o sofrimento em primeira mão. Todos em silêncio. Se palavra é compromisso, qualquer comentário nessas horas pode ser comprometedor.
Quando outros caem, eu corro.
Quando outros levantam, não é a minha mão que encontram.
Aceitamos a omissão, o papel de passivo. Como se não fazer nada fosse inofensivo. Não fazer nada provavelmente é a pior coisa que alguém pode fazer.