BRANCAS PÁGINAS
A emoção do início e a esperança do final feliz acabam de se misturar com o medo do que ainda não começou e que não sei como vai terminar. A primeira folha do caderno novo. Como tudo que chega na frente, esta também merece uma atenção especial.
A cada linha, um novo desafio que começa e termina tão rapidamente quanto minha mão consegue te percorrer. Você não merece linhas vazias. Não dos espaços em branco – sinal de respeito. Mas justamente a falta de conteúdo das que foram preenchidas.
Gostaria de carregar sempre comigo essa ansiedade que sinto agora. Mas você não cabe mais na minha mochila. Em outros tempos, quando seu conteúdo vinha de matérias ditadas e copiadas, a falta de uma parte de mim deixava sua carga bem menor. Era só um meio de carregar todas as histórias que nunca inventei. Agora é o contrário. Definitivamente essas linhas não cabem mais na minha mochila. Nela já tenho que carregar tudo que me empurraram. Peso o suficiente para fazer minhas costas se curvarem e minha cabeça se abaixar. Se eu tivesse coragem, jogaria tudo fora só para abrir espaço. Já não existe mais espaço nem para mim.
Fica aqui a promessa: posso não conseguir preencher todo seu espaço, mas prometo tentar honrar cada árvore que morreu para a sua existência. Pular uma linha ou outra não é desprezo. É respeito. É quando me calo pela sua dimensão. É a humildade de saber que nem sempre eu mereço ocupá-las.
Acabo de ver que minha mão está chegando ao precipício das folhas que te sucedem. O ponto final é sempre a parte mais difícil. Fere a folha. De todas as suas regras, essa sempre foi a mais difícil. Virar a página. Deixar para trás mais uma história. Tudo bem. Por mais que esta folha termine, é só o começo de várias outras que vêm pela frente. Depois da primeira, tenho mais 599 páginas igualmente únicas. Bendita mania de comprar caderno grande.
A cada linha, um novo desafio que começa e termina tão rapidamente quanto minha mão consegue te percorrer. Você não merece linhas vazias. Não dos espaços em branco – sinal de respeito. Mas justamente a falta de conteúdo das que foram preenchidas.
Gostaria de carregar sempre comigo essa ansiedade que sinto agora. Mas você não cabe mais na minha mochila. Em outros tempos, quando seu conteúdo vinha de matérias ditadas e copiadas, a falta de uma parte de mim deixava sua carga bem menor. Era só um meio de carregar todas as histórias que nunca inventei. Agora é o contrário. Definitivamente essas linhas não cabem mais na minha mochila. Nela já tenho que carregar tudo que me empurraram. Peso o suficiente para fazer minhas costas se curvarem e minha cabeça se abaixar. Se eu tivesse coragem, jogaria tudo fora só para abrir espaço. Já não existe mais espaço nem para mim.
Fica aqui a promessa: posso não conseguir preencher todo seu espaço, mas prometo tentar honrar cada árvore que morreu para a sua existência. Pular uma linha ou outra não é desprezo. É respeito. É quando me calo pela sua dimensão. É a humildade de saber que nem sempre eu mereço ocupá-las.
Acabo de ver que minha mão está chegando ao precipício das folhas que te sucedem. O ponto final é sempre a parte mais difícil. Fere a folha. De todas as suas regras, essa sempre foi a mais difícil. Virar a página. Deixar para trás mais uma história. Tudo bem. Por mais que esta folha termine, é só o começo de várias outras que vêm pela frente. Depois da primeira, tenho mais 599 páginas igualmente únicas. Bendita mania de comprar caderno grande.

2 Comments:
Deus, isso me deu até calor. As letrs achegam-se vagarosamente e com essa velocidde fazem com que eu gose um orgasmo calorento em cada nova frase que já estava predefinida em minha mente e me faz pensar: Era issu que você queria escreve no dia da chuva que derrubou a arvore e que não se tiha nada a faer além do jus ás arvores mortas em prol do papel e não saiu porque... Poruqe... É. Descobrir o porque das coisas é mais chato do que saber que as coisas existem e eu também existo, existo, existo! E existo. =/.
bela letra sá
bjs
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