ESCURO
Acordava com o despertador e a claridade. Abrir os olhos era sempre uma agressão. Pobreza, infelicidade. Às favas com tudo. Sabia que não havia muito no seu dia que merecesse ser visto. Colocava os óculos escuros e mirava sua atenção para onde bem entendesse, livre de culpa ou pudor. Preferia usar seu poder para apreciar artes e paisagens. Na falta de opção, simplesmente fechava os olhos. Uma falta de visão comum aos que são dotados dela.
Às vezes acordava no meio da noite desesperada. A escuridão do quarto a fazia imaginar que havia ficado completamente cega. Medo de perder o livre arbítrio de usar sua visão quando bem entendesse. Nessas horas sentia saudades por não ter olhado melhor ao redor. Abria bem as pálpebras e procurava algum sinal de claridade. Catava tomadas ou fendas na cortina, na esperança de encontrar luz na rua. Não descansava até ver que estava enganada. Foi só um susto. Fechava os olhos, virava para o lado e dormia.
Às vezes acordava no meio da noite desesperada. A escuridão do quarto a fazia imaginar que havia ficado completamente cega. Medo de perder o livre arbítrio de usar sua visão quando bem entendesse. Nessas horas sentia saudades por não ter olhado melhor ao redor. Abria bem as pálpebras e procurava algum sinal de claridade. Catava tomadas ou fendas na cortina, na esperança de encontrar luz na rua. Não descansava até ver que estava enganada. Foi só um susto. Fechava os olhos, virava para o lado e dormia.

0 Comments:
Postar um comentário
<< Home