AUTOBIOGRAFIA DA VIDA NÃO VIVIDA
Eu não estou louca. Minha história faz todo sentido. Pelo menos na minha cabeça, faz. Mas agora que cheguei ao fim, fica difícil voltar ao começo. Não é que o caminho seja longo. Na verdade, é justamente o contrário. É tão curto que dá até desânimo de ver quanta história deixei de ter para poder contar com grande entusiasmo por aqui.
Mas vou tentar. Tudo começou com as convulsões de parto que senti no momento em que a rotina tomava conta da minha vida. Naquele momento, botei pra fora tudo que havia me segurado até então. Teve muito choro, gritos. Tudo isso é natural num processo destes. E quase nunca eles são seus. Particularmente, senti o mais sereno alívio. Aquilo sim estava certo. Mas as pessoas ao redor nunca entendem. “Você só pode estar fazendo isso pra chamar a atenção”. “Brigou com o namorado?”. “Eu sabia que as drogas um dia iam acabar com você”. Depois de tantas acusações você ainda tenta explicar. Até que desiste e resolve deixar as pessoas também pra trás. Elas nunca fizeram falta mesmo.
Naquele momento, minha vida havia acabado de começar. Na certidão de nascimento, o nome da mãe era revolta e o do pai, desespero. Não vou ser batizada. Nunca gostei de ser guiada por nada, muito menos por uma religião que nunca entendi. Se padres acreditam naquele papo de pecado, como fizeram numa boa a Santa Inquisição??? Larguei a Igreja no momento em que comecei a aprender história.
Casei na infância. Vivi no conto de príncipes e castelos. Só que no caso, a princesa lavava louça. Na adolescência, fiz carreira. Só pensava em ganhar dinheiro e conquistar o mundo, mas não necessariamente nesta ordem. O auge de energia e irresponsabilidade da minha vida catalisada para a ótima causa que era eu mesma. Minha velhice foi cheia de momentos onde joguei bolinha de gude, brinquei de pique-pega e fiz todas as besteiras escondida das várias mães que ganhei no caminho.
Se eu tivesse a quem contar a minha vida, seria exatamente assim. A ordem cronológica só serve para atrapalhar os fatos.
Mas vou tentar. Tudo começou com as convulsões de parto que senti no momento em que a rotina tomava conta da minha vida. Naquele momento, botei pra fora tudo que havia me segurado até então. Teve muito choro, gritos. Tudo isso é natural num processo destes. E quase nunca eles são seus. Particularmente, senti o mais sereno alívio. Aquilo sim estava certo. Mas as pessoas ao redor nunca entendem. “Você só pode estar fazendo isso pra chamar a atenção”. “Brigou com o namorado?”. “Eu sabia que as drogas um dia iam acabar com você”. Depois de tantas acusações você ainda tenta explicar. Até que desiste e resolve deixar as pessoas também pra trás. Elas nunca fizeram falta mesmo.
Naquele momento, minha vida havia acabado de começar. Na certidão de nascimento, o nome da mãe era revolta e o do pai, desespero. Não vou ser batizada. Nunca gostei de ser guiada por nada, muito menos por uma religião que nunca entendi. Se padres acreditam naquele papo de pecado, como fizeram numa boa a Santa Inquisição??? Larguei a Igreja no momento em que comecei a aprender história.
Casei na infância. Vivi no conto de príncipes e castelos. Só que no caso, a princesa lavava louça. Na adolescência, fiz carreira. Só pensava em ganhar dinheiro e conquistar o mundo, mas não necessariamente nesta ordem. O auge de energia e irresponsabilidade da minha vida catalisada para a ótima causa que era eu mesma. Minha velhice foi cheia de momentos onde joguei bolinha de gude, brinquei de pique-pega e fiz todas as besteiras escondida das várias mães que ganhei no caminho.
Se eu tivesse a quem contar a minha vida, seria exatamente assim. A ordem cronológica só serve para atrapalhar os fatos.

2 Comments:
Lindo...
Preciso aprender a combinar as palavras c/essa sua leveza...!
adorei sá. bjs
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