4/24/2006

AQUÉM DO HORIZONTE

Ela olhava para o mesmo ponto fixo todos os dias, o dia inteiro. Hipnotizada por uma escolha difícil de ser deixada de lado, atraente por ser tão conhecida. E via o resto da vida passar pela visão periférica. Sabia que ela estava lá. Mas nunca virava o olhar para conhecer melhor as outras formas, cores e movimentos que poderia ter ou ser. Não ousava. Estava imobilizada. Faltava clareza nos mesmos olhos que cismavam em não olhar.
Até o dia em que o alvo de sua atenção simplesmente se alterou. Assim, de repente, sem pedir licença nem dar explicação. Uma mudança pequena, mas que tomou conta de todo seu espaço. Uma mudança! Foi-se embora seu foco, sua forma de ver a vida, seus objetivos. Não sabia como nem pra onde olhar. Foi obrigada a abandonar tudo, procurar outro. Mas nenhum agrada. Nenhum é feito aquele, tão... conhecido.
“Até que a mudança não ficou tão ruim assim”, pensa a voz do conformismo. E volta pra ele, mais feliz do que nunca por ele ainda estar lá.