4/17/2006

MEMORÁVEL

Nunca mais me apaixono por você. É sempre a mesma coisa. Você chega de repente, sentimentos te acompanham onde quer que eu esteja. E quando ficam sem opção, eles se escondem. Mas sempre deixam um rabo aparecendo, loucos para darem as caras ao primeiro sinal de sua voz. E depois voltam a se esconder em alguma gaveta aqui dentro. Aqui mesmo no meu quarto. Aquela gaveta que tremo só de chegar perto. A mais bagunçada de todas. A que esconde fotos, imagens, roupas, pensamentos, livros, cheiros, bilhetes e emoções.
Pois saiba que, para demonstrar minha vontade de terminar de vez, devolvo tudo que te pertence. Tudo que ficou por aqui, debochando da minha ingenuidade de guardar objetos pensando que com isso, guardo você também. Encho uma caixa inteira com o que me lembra você. Rasgo fotos e me rasgo também por dentro. Mas tem uma coisa que me recuso a devolver: as lembranças. Não devolvo todas as nossas histórias. Nem se quisesse, conseguiria tomá-las de mim. Elas são tão minhas quanto suas e estão muito bem guardadas, longe de todos. Às vezes até mesmo longe de mim. Represento riscos a elas quando quero alterar nossa história pra te esquecer. Risco de levar desconfianças, raiva. Mudar coisas simples por capricho, orgulho.
Vamos fazer o seguinte: como em toda união por comunhão total de momentos, eu fico com os meus, você fica com os seus. Eles são diferentes. Até os momentos iguais trazem recordações diferentes para cada um que os viveu. Pois eu vivi com você, mas vivi da minha forma. Então volto a repetir: não devolvo. E tenho certeza que, em algum lugar ou em alguma de suas gavetas, você ainda guarda as suas também. Não podem ser jogadas fora em qualquer lugar. Mas espero que você não as recicle, lavando as lembranças antigas com novas das quais não vou poder participar.
Digo e reafirmo: não me apaixono mais por você. Pelo menos até chegar aí pra entregar a caixa com tudo que juntei. Mas confesso: esqueci junto das minhas memórias, algumas camisas para poder voltar mais uma vez. Ou duas. Ou três.

3 Comments:

Anonymous Anônimo said...

belo rabisco sá. corajoso, carregado de força, personalidade e ao mesmo tempo camaleônico. é só dar uma bobeada que nêgo se identifica com algo. foi o que mais gostei. beju.

11:05 AM  
Anonymous Anônimo said...

Sassá,

Estive por aqui para deixar um beijinho, renovar meu carinho e dizer que estarei sempre por perto, todas as vezes que você precisar.

Te adoro.

Abrahão

8:42 AM  
Anonymous Anônimo said...

Minha primeira visita, fui apresentada hj mesmo a esse pedaço q não conhecia de Vc...Minha Amiga q vive longe e perto!
Adorei!

Bj enorme
Lígia

7:53 PM  

Postar um comentário

<< Home