4/17/2006

NA CHUVA

De repente, sem pedir licença nem chances de defesa, um pensamento louco invadiu minha mente. Nele, estávamos só nós dois. Nada além. Nem árvore, chão, céu. Nem mesmo ar. Os detalhes se apagam, como foto antiga que perde a cor. E mesmo assim, tudo que eu poderia querer um dia, lá estava.
Todo o vocabulário do mundo ficou desnecessário. As palavras não faziam mais sentido, já que o corpo dizia tudo. Num toque, num gesto, ou simplesmente em não fazer nada. Só o que guardei foi um relógio. Queria contar cada segundo que estivéssemos lá, como casais que contam seus meses. Só pra me vangloriar de que fui capaz de merecer cada um deles que estive ao seu lado.
Saber que existe mais no mundo pra mim não é problema. Sei que nada vai me distrair de você. O ruim é que não posso controlar o seu tempo, as suas distrações. Você pode parar de pensar o que eu penso, fazer o que eu imagino e sentir o que eu desejo.
Vai continuar maravilhado com o mundo ao seu redor. Querer agarrar a tudo e a todos. E assim vai esquecer de lembrar logo de mim e dos pensamentos que, por mais que estivessem o tempo todo só na minha cabeça, sempre foram completos demais pra nós dois.

1 Comments:

Anonymous Anônimo said...

tempo. essa merda que corre rápido quando não queremos e devagar pra caralho quando menos precisamos.

3:47 PM  

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